quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A fome, o clima e o homem...


Crise alimentar e climática

Humanitas/Unisinos/Cepat *

Adital -

Analise da equipe de Humanitas/UNISINOS e CEPAT/Curitiba 18 de novembro de 2009
Dois dos mais graves problemas do planeta - a crise alimentar e a crise climática - não serão enfrentados pela comunidade política internacional com a urgência que exigem. A semana começou com notícias desalentadoras. Simultaneamente ao anúncio do fracasso da Cúpula Mundial contra a Fome, anunciou-se o fracasso da Conferência do Clima de Copenhague.
Esvaziada, sem metas nem líderes dos países ricos, a Cúpula Mundial contra a Fome organizada nessa semana em Roma pela FAO é um rotundo fracasso. Ainda mais, é uma triste manifestação de que o mundo deu as costas para o problema da fome. Ao mesmo tempo a reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Cingapura, anunciou o que já se previa: a Conferência de Copenhague, um dos eventos mais aguardados do ano, "flopou" - palavra sonora para definir fiasco, como descreve o jornalista Cláudio Ângelo.
A crise alimentar (1 bilhão de pessoas passam fome) e a crise climática (o planeta levado ao esgotamento) não tiveram a mesma sorte da crise econômica. Na oportunidade, o desfecho à crise financeira - que pode retornar a qualquer momento - encontrou por parte das lideranças políticas mundiais uma resposta rápida, ágil e célere: abriram-se os cofres dos Estados e o derrame de dinheiro público resgatou bancos e banqueiros do atoleiro.
A negligência do mundo diante dos que passam fome e a passividade para com a lenta agonia do planeta em que os recursos se encontram no limite do suportável, deve-se ao fato de que os interesses econômicos, do mercado, continuam subordinando a política - a capacidade de respostas aos problemas coletivos. A economia faz tempo deixou de ser a "serva" da sociedade para se tornar a sua "senhora".
A fome no mundo e a crise ecológica não podem ser interpretadas desconectadas da economia. É o "modo de produzir" e o "modo de consumir" da sociedade capitalista que explicam as crises alimentar e ecológica. Associadas a essas duas, poder-se-ia ainda acrescentar a crise energética e a crise do trabalho. Essas crises manifestam algo mais grave, uma crise de modelo de desenvolvimento de tipo civilizacional.
Crise alimentar. A fome é obscena
Novamente fracassou - o mesmo se deu em 2008 - a Cúpula Mundial contra a Fome ocorrida nessa semana em Roma. O texto evasivo da Cúpula não passa de uma "carta de boas intenções". Segundo Francisco Sarmento, da entidade ActionAid, "o encontro e a declaração final não passam de discursos vazios e velhos".
O fracasso do mundo no combate à fome desvenda uma hipocrisia: os Objetivos do Milênio, a fórmula-slogan com que os poderosos da terra tinham assumido o compromisso de diminuir radicalmente a fome no mundo, não passa de palavras ao vento. A verdade nua e crua é que o mundo não está nem aí para o flagelo do 1 bilhão que passam fome no mundo.
A insensibilidade dos países ricos é taxada como criminosa pelo diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty: "Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime". O mesmo pensa Jean Ziegler, ex-relator da ONU contra a Fome: "A morte pela fome hoje não é algo inevitável. É um assassinato".
Em julho desse ano, por ocasião da reunião do G-8, Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, afirmava "que o tempo das palavras acabou" e que se fazia necessário agir e com urgência. Mas nada foi feito. O grito de dor e súplica por ajuda não foi ouvido pelos países ricos. Ainda pior, segundo o próprio Diouf, "hoje são destinados à agricultura só 5% dos recursos, contra 3,6% de antes do G-8 de L’Aquila".
De nada adiantou a convocatória da vigília em solidariedade aos desnutridos e a greve de fome de 24 horas de Jacques Diouf com o objetivo de chamar a atenção para a Cúpula Mundial de Segurança Alimentar. A ambiciosa agenda da Cúpula de apresentar uma nova estratégia mundial para o campo e para os mais de 1 bilhão de famintos virou pó. Os mais ricos sequer foram ao encontro.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, preferiu ir à China, onde junto ao seu colega presidente Hu Jintao, descartou a possibilidade de um acordo definitivo em Copenhague. A principal preocupação da maior potência do mundo é como preservar o seu modo de vida, de produção e consumo. O problema da fome saiu da agenda das grandes potências faz tempo.
A obscenidade da fome, entretanto, se torna ainda maior quando se sabe que:
1) A fome mata 24 mil pessoas a cada dia - 70% delas crianças, afirmam ONGs;2) No mundo de hoje há mais comida do que em qualquer outro momento da história da humanidade;3) Temos 6,7 bilhões de habitantes, e produzimos mais de 2 bilhões de toneladas de grãos, o que significa que produzimos quase um quilo de grãos por pessoa e por dia no planeta, amplamente suficiente para alimentar a todos;4) Segundo a FAO o mundo precisaria de US$ 30 bilhões por ano para lutar contra a fome, recursos que significam apenas uma fração do US$ 1,1 trilhão aprovado pelo G-20 para lidar com a recessão mundial;5) 65% dos famintos vivem em somente sete países;6) Nos últimos meses irromperam revoltas por causa da fome em 25 países;7) Os que sobrevivem à fome carregam seqüelas para sempre. A fome mina as vidas e acaba com a capacidade produtiva, enfraquece o sistema imunológico, impede o trabalho e nega a esperança;8) No mesmo momento em que 1 bilhão de pessoas passando fome, outro 1 bilhão sofre de obesidade por excesso de consumo;9) Uma criança americana consome o equivalente a 50 crianças africanas da região subsaariana;10) Cerca de 200 milhões de crianças de países pobres tiveram seu desenvolvimento físico afetado por não ter uma alimentação adequada, segundo o Unicef.
Por que tantos passam fome?
Muitos pensam que o problema da fome se deve ao excesso da população, de que não há alimentos para todos e se faz necessário o controle da natalidade. Essa tese não se justifica. A FAO, organismo da ONU dedicada à alimentação, há vinte anos afirma que o problema é político. A fome é um problema, sobretudo, de acesso à comida e não de disponibilidade de alimentos, ou seja, a crise alimentar não é uma crise fundamentalmente de produção, mas de distribuição. O problema está no mercado.
"Hoje produzimos alimentos demais. Muito mais do que seria necessário para alimentar a população atual, sendo que ainda nem estamos perto de esgotar o potencial da alimentação direta. E, para pequenos produtores rurais, dobrar a produção custa pouco", argumenta Benedikt Haerlin, da fundação Zukunftsstiftung Landwirtschaft, que apoia projetos ecológicos e sociais no setor agrícola. "A ideia de que somos cada vez mais numerosos e por isso precisamos produzir mais é equivocada. Precisamos é produzir melhor. Menos da metade dos grãos hoje em dia é destinada à alimentação, enquanto a maior parte serve para fabricar rações animais, biocombustíveis e outros produtos industriais", explica Benedikt Haerlin.
O problema é de acesso à comida, diz David Dawe, Ph.D. em Economia pela Universidade de Harvard. Segundo ele, "a fome crescente é um problema de acesso à comida, e não de disponibilidade de alimentos". "Se temos 1 bilhão de pessoas que passam fome por não ter dinheiro para comprar comida e outro bilhão de clinicamente obesos, alguma coisa está obviamente errada", alerta Janice Jiggings, do Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento em Londres.
A razão para o aumento da fome está ainda associada, entre outros fatores, a crise econômica (leia-se especulação das grandes corporações com os alimentos que chamam de commodities), às mudanças climáticas que provocam em alguns momentos inundações e, em outros, secas terríveis, e ao aumento das controvertidas plantações para produzir combustível, que rouba áreas da agricultura de subsistência.
A crise alimentar encerra ainda outro paradoxo: ela se dá num contexto de extrema falta e abundante desperdício. Já hoje existe mais comida que o necessário garante o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, e sem cultivar um quilômetro quadrado que seja a mais, seria possível alimentar toda a população do planeta. Segundo ele, "ao mesmo tempo em que temos uma crise de alimentos, jogamos fora 30% a 40% dos alimentos produzidos. Ao invés de nos perguntarmos onde podemos encontrar mais terra para cultivar ou se será preciso plantar na Lua, deveríamos olhar para o nosso quintal. Temos que encontrar estímulos financeiros para evitar que se jogue comida fora".
A crise alimentar está também associado ao escandaloso subsidio concedido aos fazendeiros dos países ricos. Existe muito dinheiro para subsidiar a agricultura dos que já tem muito e pouco, ou quase nada, para os países pobres que mais precisam.
Vandana Shiva, a ativista e intelectual indiana, defende a tese de que "são os métodos de desenvolvimento equivocados que causam a fome de centenas de milhões de pessoas". Segundo ela, "hoje, nos dizem que um bilhão de pessoas passam fome. Eu acho que se deveria perguntar o porquê. O porquê é explicado há muitos anos pelos especialistas, economistas e climatologistas como eu, que a FAO não ouviu. Há estudos qualificados que defendem que as monoculturas tornam a agricultura mais vulnerável, e que o uso de fertilizantes químicos contribui para as mudanças climáticas".
Nas últimas décadas, o livre comércio e as políticas neoliberais favoreceram e incrementaram o agronegócio, em detrimento da agricultura familiar, da reforma agrária, da produção ecológica.
A ativista dá o exemplo do seu país, a Índia: "A globalização não significou o livre comércio de comida de alguns países para outros. Pelo contrário, ela esmaga os países que podem produzi-la. Em troca, um bilhão de pessoas passa fome. Em um mundo que produz mais comida do que nunca, o consumo per capita, na Índia, caiu de 270 quilos por ano para 150 quilos, menos do que na grande crise alimentar de Bengala [1945]. Hoje, 70% das crianças estão desnutridos, e as mulheres estão anêmicas porque plantam sementes sem ferro".
Vandana Shiva alerta para o mito da Revolução Verde, o que inclui os transgênicos: "Hoje, falar de Revolução Verde como solução é absurdo. A Revolução Verde só produziu mais arroz e trigo porque houve mais irrigação. O ruim é que são usados pesticidas para sementes transgênicas que não são afetadas por esses produtos. E as famílias se endividam ao comprar esses produtos. Hipotecam até as terras. Hoje, os que passam fome são os produtores de comida, porque não podem comer o que semearam. A indústria química, a revolução verde e os transgênicos baseiam-se na morte. Vendem-na como milagrosa, mas quando se substitui ciência por mitologia, nunca se sabe se os colegas cientistas irão mentir. E a Revolução Verde é um mito".
A "revolução verde", 40 anos depois, mostra seus limites econômicos, ambientais e sociais. O modelo agrícola dominante no mundo, o agronegócio, é destruidor da natureza, assentado no monocultivo, concentrador de recursos, protagonizado pelo grande capital, gera um reduzido número de postos de trabalho e atende fundamentalmente interesses transnacionais, ao mesmo tempo em que persegue objetivos mercadológicos. Os fertilizantes químicos e os defensivos agrícolas, causam estragos ambientais muitos deles irreversíveis. Insistir nesse modelo como resposta ao problema da fome é uma mentira.
Plantar o que, para quê e para quem?
Em um instigante artigo, o ambientalista e jornalista Washington Novaes, pergunta: "Qual é hoje a questão central, mais grave, no mundo? A população de 6,8 bilhões, que pode chegar a 9 bilhões em 2050 (ou a 12 bilhões, segundo demógrafos mais pessimistas)? O consumo de recursos e serviços naturais, já quase 30% além da capacidade de reposição do planeta (e que tende a crescer mais)? A fome (mais de 1 bilhão de pessoas) e a pobreza (cerca de 40% da humanidade)"?
O mérito da pergunta está no fato de que ao contrário de isolar os problemas é necessário conectá-los. A crise alimentar está entrelaçada à crise climática. No artigo, Washington de Novaes chama a atenção para o fato de que na África Subsaariana, hoje com cerca de 800 milhões de pessoas, 200 milhões já passam fome. Segundo ele, "a produtividade agrícola ali, de 1,2 tonelada por hectare, é menos de metade da média nos demais países pobres, de 3 toneladas por hectare. E só 3% das terras são irrigadas; 80% das propriedades rurais têm menos de 2 hectares. Mas a moeda tem outra face: os pobres africanos (como os asiáticos) emitem 0,1 tonelada de dióxido de carbono por ano, enquanto o norte-americano médio emite cerca de 20 toneladas".
Esse fato permite a vinculação com o tema da crise ecológica e Washington Novaes faz menção a uma discussão promovida pela revista New Scientist com alguns pensadores respeitados. O ambientalista cita, entre eles, a tese de Fred Pearce, para quem o problema não é de população, mas consumo excessivo. Jesse Aubels, da Universidade Rockefeller, acredita que a solução virá de tecnologias que permitam produzir mais em menos terra, gerar mais energia com equipamentos mais eficientes e não poluentes, replantar florestas, mudar hábitos de consumo (uma dieta vegetariana, diz ele, pode ser viabilizada com metade da área exigida por uma alimentação à base de carnes). Na sua opinião, novas tecnologias permitiriam ao planeta ter até 20 bilhões de pessoas.
Fred Pearce, autor de Peoplequake (terremoto populacional), entende que, mesmo se se estabilizar a população (com a queda da taxa de fertilidade das mulheres), o consumo continuará sendo a questão crucial, tanto pelo lado da sobrecarga em matéria de recursos e serviços naturais como pelo ângulo das emissões de poluentes que afetam o clima, intensificadas pelo alto consumo. Hoje, lembra ele, os 500 milhões de pessoas mais ricas (7% da população mundial) respondem por 50% das emissões; os 50% mais pobres da população (3,4 bilhões) respondem por 7% das emissões totais. Um norte-americano emite tanto quanto toda a população de uma pequena cidade africana.
O modo de produção e consumo dos países ricos é insustentável. A pressão que colocam sobre o planeta para preservar o seu modo de vida é diretamente responsável pelo que falta aos outros. A questão crucial a ser debatida é plantar o que, para quê e para quem.
A fome e o caso brasileiro
Numa Conferência em que os governantes dos países mais ricos não foram, o Brasil sobressaiu como modelo a ser perseguido, sobretudo em função do programa de transferência de renda, o Bolsa Família. De acordo com um ranking elaborado pela ONG anti-pobreza Action Aid, o Brasil é líder no combate à fome entre os emergentes.
O presidente Lula esteve na Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da ONU e afirmou que a fome "é a mais temível arma de destruição em massa que existe no nosso planeta", acusou os países ricos ao dizer que "metade dos recursos usados para salvar bancos erradicaria fome no mundo" e fez uma veemente defesa do programa Bolsa Família - responsável, segundo ele, por retirar 20,4 milhões da pobreza e reduzir em 62% a desnutrição infantil - e criticou aqueles que criticam o programa: "Qualquer esforço para socorrê-los da pobreza, da exclusão e da desigualdade era visto, e ainda é, por alguns, como assistencialismo ou populismo".
"No caso da fome, acho que o Primeiro Mundo falhou. O Brasil, na verdade, se tornou um exemplo a ser seguido, tendo criado um modelo de transferência de renda, o do Bolsa Família, que poderia, e ao meu ver deveria, ser universalizado via ONU, com a transferência de recursos dos países ricos para os países mais pobres com o objetivo precípuo de erradicar a insegurança alimentar grave. Não vejo outra posição eticamente sustentável tendo em vista a dimensão do problema. Acho, realmente, que o mundo tem se omitido diante da tragédia da fome", afirma o cineasta José Padilha, vencedor do Urso de Ouro com o filme Tropa de Elite (2007), e diretor do filme Garapa, produzido neste ano, e que discute o problema da fome.
Segundo ele, "é eticamente inadmissível que alguém, no grupo dos beneficiados históricos deste país, olhe para os miseráveis que não têm o que comer e diga que os R$ 58 que o governo dá a ele são uma política errada".
A política do governo Lula de combate a fome é hoje vendida pela própria FAO como um programa ser seguido por outros países. "No caso brasileiro, ao contrário, sucessivas decisões de governo carimbadas por alguns como assistencialistas foram corajosamente alçadas à condição de políticas de Estado nos últimos sete anos. Nascia assim, silenciosamente, uma engrenagem de fomento à demanda popular que se antecipou ao ‘mundo keynesiano’ legitimado pela explosão da bolha imobiliária nos EUA", escreve José Graziano da Silva, representante regional da FAO para América Latina e Caribe.
Apesar dos esforços e progresso no combate à fome no país, cabe sempre alertar que o Brasil ainda não acabou com o problema e isso é ainda mais vergonhoso quando se sabe que o país está entre os maiores exportadores de alimento do mundo e entre os 10 países que mais desperdiçam comida no mundo.
Em que pese o fato do investimento em tecnologia de ponta nas últimas décadas ter colocado o Brasil entre os países mais competitivos do agronegócio no mercado internacional, o mesmo não foi suficiente para acabar com um problema básico: o desperdício de alimentos ao longo da cadeia produtiva. Sobre o desperdício, há outra situação incomoda manifestada pelo economista italiano Bruno Parmentier. Pergunta ele sobre o Brasil: "Como é possível que cause alegria em seu país, por exemplo, a abertura de restaurantes em que se paga um preço fixo ao entrar e a comida é ilimitada? Isso é provavelmente algo que tem suas raízes na cultura brasileira, mas que não corresponde de modo algum às exigências e aos desafios do século 21".
Crise ecológica. Copenhague ‘flopou’
A Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas - COP 15, ou simplesmente a Conferência do Clima de Copenhague, um dos eventos mais aguardado do ano, senão o mais aguardado está fadado ao fracasso, simplesmente "flopou", como diz o jornalista Claudio Ângelo, ou seja, será um fiasco.
A importância de Copenhague que será realizado em dezembro ganhou evidência após o impactante relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - sigla em inglês) de 2007. À época, o informe dos pesquisadores e cientistas foi categórico e não deixou espaço para dúvidas ao afirmar de forma contundente - o relatório utilizou a expressão "inequívoca" - que o aquecimento global se deve à intervenção humana sobre o planeta.
Aguardava-se um compromisso mínimo entre os países para mitigar os problemas ambientais. Agora a elegante linguagem diplomática trabalha com o conceito de um acordo "politicamente vinculante", em vez de "legalmente vinculante". Na prática significa "empurrar com a barriga" o problema para 2010.
A pá de cal em Copenhague foi dada pelos EUA. O presidente americano Barack Obama, em encontro com o presidente chinês, Hu Jintao, anunciou não ser possível anunciar metas para a Conferência no que foi seguido pelo presidente da China. Se a maior potência do mundo, os EUA, seguido pela segunda maior potência, a China, não querem um acordo no momento, Copenhague virou uma miragem. Sequer a presença de Barack Obama está certa na Conferência.
"Estou triste e desiludido. Nem o estímulo do Nobel pela paz foi suficiente para colocar as exigências globais em primeiro plano: continuamos sendo prisioneiros dos vetos cruzados da política interna", afirma Barry Commoner em entrevista ao La Repubblica sobre a posição americana. Barry, ecologista que há mais de 40 anos luta para dar espaço à energia solar, ficou chocado com a freada da Casa Branca com relação ao clima. Segundo ele, "a pressão política para a reforma da saúde fez com que faltasse o estímulo necessário para se obter um resultado no jogo climático. Assim, Obama registrou uma pesada derrota: não conseguiu assumir a liderança da economia verde".
Alguns já falam que Copenhague pode virar Doha, uma referência ao possível acordo comercial mundial que se arrasta há anos e permanece inconcluso.
Na opinião do africano Kumi Naidoo, porta-voz da Campanha Internacional contra as Mudanças Climáticas do Greenpeace, falta vontade política para salvar Copenhague. Diz ele: "Se houve vontade para mobilizar bilhões para salvar bancos responsáveis pela crise, uma fração desse dinheiro resgataria a população pobre e o clima".
É nesse contexto que devem ser interpretados os discursos inflamados dos presidentes Lula e Sarkozy nos últimos três dias. Os dois países anunciaram metas unificadas de combate às mudanças climáticas. Trata-se de uma aliança, a tentativa de formação de um bloco um bloco em oposição a Washington e Pequim.
O desfecho não chega a surpreender. Os encontros preparatórios à Copenhague de Bonn, Bancoc e recentemente Barcelona, já anunciavam a dificuldade de um possível acordo.
Na realidade, o fracasso anunciado de Copenhague está ligado ao fato de que os países ricos e os países em desenvolvimento temem a mesma coisa: frear o crescimento econômico. Os países industrializados (EUA e União Européia) temem se comprometer com metas fortes de redução das emissões de gases que provocam o aquecimento global, pois não querem ter perdas econômicas.
Já os países em desenvolvimento (particularmente o Brasil, a China e a Índia), mas também os africanos - com a África do Sul à frente -, argumentam que a responsabilidade histórica pela emissão de gases-estufa é dos países industrializados e que, assim como as nações do Norte, também têm o direito de se desenvolver. Os países em desenvolvimento não aceitam metas obrigatórias e querem que os industrializados concedam financiamentos para adaptação às mudanças climáticas.
O ambientalista Washington Novaes em entrevista à revista IHU On-Line, resumiu bem o impasse: "Os chamados países emergentes como Brasil, China, Índia, México e África do Sul alegam que essa responsabilidade [de drástica redução da emissão de gases estufa] deve caber aos países industrializados que emitem mais e há mais tempo, e que os emergentes não poderiam assumir compromissos de reduzir emissões porque isso poderia comprometer o seu desenvolvimento. Os países desenvolvidos, continua ele, em contrapartida, argumentam que se os emergentes não assumirem compromissos de redução, não se conseguirá nada porque, neste momento, o mundo em desenvolvimento já consome mais energia e emite mais que o primeiro mundo".
O mesmo afirma o jornalista Cláudio Ângelo, para quem a culpa é de todo mundo. Diz ele: "Os EUA são apenas a Geni do processo. Os europeus estão divididos, sem liderança e pressionados pelas próprias picuinhas internas - a resistência dos países mais pobres do Leste, por exemplo. Foi a UE, aliás, que cunhou o eufemismo ‘politicamente vinculante’ para ‘acordo fracassado’, na semana retrasada, em Barcelona. Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia também não querem compromisso, mas se escondem atrás dos EUA. Com um clima desses, é melhor mesmo suspender a reunião e reconvocá-la depois. Resta saber se o planeta pode esperar - e sem garantia de sucesso. De toda forma, antes correr esse risco do que fechar um acordo frouxo, à la Kyoto, na capital dinamarquesa - que talvez fizesse bem em mudar seu nome para ‘Flopenhague’".
* Instituto Humanitas Unisinos, Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos. Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A fala de um pastor...


Responsabilidade social e práxis: possibilidades de ajustes ou transformações sociais
Rev. Oswaldo de Oliveira Santos Jr. *
Adital -
Abordar o tema da Responsabilidade Social é ir além do modismo ou dos sonhos alternativos assistencialistas. A sociedade atual possui mecanismos vorazes que consomem pessoas e a natureza, que excluem e segregam um grande contingente de seres humanos. Ao tratar do tema com a seriedade necessária, será inevitável o questionamento da estrutura social e econômica vigente em nossa sociedade.
Em nosso contexto é necessário considerar que o conceito de responsabilidade social possui muitas vertentes e possibilidades de interpretação, que são contraditórias e ambíguas. Desde uma prática corporativa ética e socialmente responsável, até como uma estratégia de mercado, que atua com o objetivo de somar valor às empresas que dela se utilizam, tornando-a uma "moeda" que agrega valor e prestígio às empresas e instituições que se valem deste emblemático título.
Nota-se que no interior destas instituições e empresas que se utilizam da responsabilidade social como estratégia de mercado, há a clara convicção de que a sociedade consome também um "capital simbólico", e que os denominados "selos de responsabilidade social" ganham valor nas sociedades de consumo.
Contudo, para nós, a responsabilidade social que de fato interessa é aquela que habilidosamente se articula com uma práxis transformadora plena, ou seja, que supere as estratégias de mercado, o mero assistencialismo e a falta de criatividade, que sempre estão em consonância com as práticas repetitivas, que seguem imprimindo uma ordem social injusta e perversa em que as pessoas são "coisificadas" e as coisas são dignificadas.
Compreende-se que a práxis social é a atividade material do ser humano agindo na história, ela enseja transformações que superam os ajustes sociais, ou seja, verdadeiras rupturas com as práticas repetitivas que expropriam as riquezas materiais e imateriais do ser humano. Para se chegar a uma experiência da práxis social será necessário superar o idealismo e a espontaneidade ingênua dos indivíduos e grupos, o que permitirá a avaliação permanente das ações de responsabilidade social, o que significa verificar se tais ações sinalizam criativamente para "um novo mundo possível": um mundo justo, onde caibam todas as pessoas.
Nesta direção é importante lembrar a afirmação da antropóloga Margaret Mead: "nunca duvide de que um pequeno grupo de indivíduos conscientes e engajados possa mudar o mundo. Desde sempre foi assim que as coisas aconteceram". É fato que as grandes transformações sociais foram realizadas por grupos apaixonados pela vida e motivados pela esperança de justiça, que superaram as práticas repetitivas na direção de uma práxis social libertadora, transformadora e reflexiva. Estes grupos de indivíduos socialmente responsáveis e criativos fizeram e continuam fazendo toda a diferença em nosso mundo.
* Pastor da Igreja Metodista

domingo, 15 de novembro de 2009

O que eu sou?

O que eu sou?

Eu sou flamengo, vasco ou coríntias?
Sou carioca, mineiro ou gaucho, sou nordestino?
Sou filho, pai ou irmão?
Quem sou eu?
Sou cristão?

Eu sou flamengo, sou carioca, sou pai, filho e irmão...
Esse sou eu.
Eu não sei é ser Cristão...
Seguir a Cristo é outra coisa e essa eu não sei ser não.
É preciso amor.
É preciso paixão, entrega, devoção... devoto em ação. E isso eu não sou não.

Pai perdoa a minha fraqueza, a minha omissão.
Eu sei é a tua obra, a tua mais importante criação.
A vida minha e de meu irmão. E eu não sei amar não, nem a mim, nem ao meu irmão...
Perdoa Pai a minha omissão.

Hoje eu sou flamengo, carioca e não aprendi a amar não.
Perdoa Pai a minha omissão.

E depois de entregar toda a criação para que o homem cuida-se e preserva-se Ele viu que tudo o que tinha feito era bom. E no sétimo dia descansou.

Rio de janeiro: 15/11/2009.
Alex Prado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Via Campesina.

Via Campesina

VC na FAO - Não é mais hora de falar: Vamos por em marcha a Soberania Alimentar
Vía Campesina *

Adital -

A Via Campesina na Cúpula da FAO

Ao redor de 40 camponeses e camponesas provenientes de 25 países do mundo, membros do movimento internacional La Vía Campesina, vão se reunir em Roma para a Cúpula Mundial da FAO sobre Soberania Alimentar e para o Fórum da Sociedade Civil, que acontecerá entre os dias 13 e 18 de novembro. "Não é mais hora de falar", disse recentemente Nettie Wiebe, uma agricultora canadense, líder do movimento. "Se o mundo leva a sério o fato de erradicar a fome, não existem muitas opções. Devemos apoiar e animar os camponeses a produzir para suas comunidades de maneira sustentável. Para que haja uma solução autêntica para a crise alimentar a agricultura de pequena escala, e não as corporações transnacionais, deve retomar o controle sobre os recursos produtivos alimentares, tais como a terra, as sementes, a água e os mercados locais".
Mesmo que o mundo produza suficientemente para alimentar cada boca, a cifra de pessoas que passam fome subiu dramaticamente para mais de 1 bilhão este ano, por primeira vez na história da humanidade; 80% dessa população que sofre com a fome e suas consequências são camponeses/as, desalojados ou trabalhadores rurais, homens e mulheres. Não é uma miragem a existência de tantas famílias ao redor da fome no campo; é uma crua realidade.
Ironicamente, essa crise alimentar sem precedentes aumenta com o desenvolvimento de iniciativas encaminhadas na mesma direção de políticas que criaram o desastre atual. É o caso do Partenariato Global para a Agricultura e Segurança Alimentar e do Fundo Fiduciário para a Segurança Alimentar do Banco Mundial (BM), apoiados pelo G-20. Financiam o desenvolvimento de tecnologias para a "revolução verde", que incrementam a dependência dos agricultores do mercado e que propiciam a destruição dos solos. Todas essas iniciativas promovem mais políticas de livre comércio e trabalham lado a lado com a agroindústria.
No entanto, as grandes companhias não têm nenhum interesse em salvar o mundo da fome. Concentram-se em aumentar suas margens de benefícios e de participações no mercado. O que aconteceu durante a crise alimentar em 2007 foi muito ilustrativo: as companhias dedicadas ao agronegócio tiveram enormes benefícios (1), enquanto que milhões de pessoas sucumbiram à fome e à pobreza. Atualmente, as terras agrícolas converteram-se em um investimento proveitoso e as companhias estão tomando enormes quantidades de terreno ao redor do mundo, expulsando os agricultores locais para poder produzir alimentos para exportar ou para transformar-se em agrocombustíveis.
Durante a Cúpula da FAO, em Roma, a Vía Campesina defenderá a necessidade de uma nova governança frente à alimentação e à agricultura, para chegar a soluções frente à crise alimentar e à atual crise climática. As políticas alimentares não devem ficar nas mãos dos "clubes de doadoras" e das instituições financeiras. Um sistema de governança democrática -como o que está sendo discutido no Comitê de Segurança Alimentar Mundial da FAO- deve ser implementado imediatamente para assegurar que os países e os povos no mundo tenham o direito a colocar em marcha a soberania alimentar, entendida como o direito das comunidades e das nações a desenvolver e promover seus próprios sistemas locais e políticas alimentares, respeitando as culturas e o meio ambiente.
"Durante o Fórum da Sociedade Civil, em Roma, serviremos comidas ecológicas procedentes dos cultivos dos/as agricultores/as locais. Regularmente também oferecemos uma média de 150 mil comidas ecológicas em restaurantes escolares, em toda a Itália", explicou Andrea Ferrante, da Associação Italiana de Agricultura Biológica (AIAB), uma organização membro da Vía Campesina. "A Soberania Alimentar começa a cada dia com cada comida. Já está sendo implementada localmente em muitos lugares e com vontade política podemos difundi-la ao redor do mundo, resolvendo a atual crise alimentar", agregou.
Nota:
(1) Por exemplo, Cargill, a maior empresa comercializadora de grãos do mundo, informou um aumento em seus benefícios ao redor de 70% em 2007 - 157% de aumento nos benefícios desde 2006. (http://www.grain.org/seedling/?id=592)/
(Jacarta, 9 novembro de 2009)
* Movimento internacional de camponeses e camponesas, pequenos e médios produtores, mulheres rurais, indígenas, gente sem terra, jovens rurais e trabalhadores agrícolas

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

No Outro.


Corria.
Tudo o que fazia era correr...
Em passos rápidos, curtos, sobre asfalto quente.
Ao meu redor multidão, ruídos, carros.

Nunca me senti tão longe de mim.
Foi tão bom...
Estou desesperado de tanto eu, de tanto desdobrar-me, de tanto beber-me, mastigar-me.
Triturado de mim em mim e por mim. Triturado.
Como foi bom não sentir-me, quando por inteiro naquele turbilhão do outro.

Quando no meu igual eu sou mais inteiro, quando de mim fujo, mais me esbarro e mais me gosto. Longe de mim em pedaços dispersos nos tantos de mim que passam. Quanto de mim no outro me recomponho.
E faço-me em correrias de mim, em mim, no outro igual.
E assim amo de maneira a ser só inteiro quando busco o sorrir de seus lábios.
Na face do igual.
Rio de Jameiro; 9/11/2009.
Alex Prado.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Uma ação Cristã.


Carta-Compromisso ao encerrar o seu 1º Fórum Ecológico-Social
CEBs Fortaleza *
Adital -

Nós, participantes do 1º Fórum Ecológico-Social das CEBs da Arquidiocese, que representamos as comunidades das regiões episcopais da Serra e as Metropolitanas I, II e III, reafirmamos a centralidade que têm os pobres e injustiçados da sociedade para a nossa maneira de viver a prática de Jesus e a melhor tradição da Igreja. Declaramo-nos igualmente sensibilizados/as pelo grito da Terra que escutamos no 12º Encontro Intereclesial de Porto Velho e que está encontrando ecos fortes na realidade do nosso Ceará.
Realimentamos nossa disposição para transformar as estruturas injustas na sociedade e na Igreja, celebrando o 30º aniversário de martírio de Santo Dias da Silva, metalúrgico, sindicalista e membro da Pastoral Operária. Aos que nos acusam de vivermos no passado, queremos dizer que muitas figuras cristãs combativas e corajosas de épocas passadas continuam sendo guias luminosos em nossas lutas presentes. A memória dos crucificados e perseguidos por causa da justiça sempre há de encontrar fervorosa acolhida no meio das CEBs.
Reconhecemos a necessidade de nossas comunidades se assumirem, doravante, não apenas como eclesiais, mas também como ecológicas de base: percebemos que o ser humano, na tradição da Palavra de Deus, é chamado a ser um "jardineiro", um(a) cuidador(a) do mundo criado por Deus. O nosso dia de estudo nos fez ver que a lógica capitalista, de que somos vítimas, se utiliza da escassez dos recursos naturais para transformá-los em mercadoria vendável e, portanto, privativos de apenas alguns. Isto contraria claramente o projeto de Deus e de Jesus: vida plena para todos. É preciso despedir-se do mito perigoso de um crescimento ilimitado da economia e do consumo. Vemos necessidade das classes abastadas da sociedade reduzirem o seu nível de consumo, oneroso para a vida de todo o planeta.
As CEBs devem ser núcleos de conscientização ecológico-social e de conversão de hábitos e atitudes pessoais em meio à população de bairros e paróquias: exigências como coleta seletiva do lixo doméstico, despoluição de rios, riachos e lagoas, implantação de ciclovias nas avenidas, cultivo de plantas medicinais, arborização e conservação de praças, canteiros e calçadas, oficinas de aproveitamento de lixo reciclável - para citar apenas alguns exemplos - precisam ser assumidas e defendidas por nós em público. Recomendamos que cada região crie uma equipe itinerante de conscientização sócio-ecológica que possa visitar escolas e associações e sensibilizar, sobretudo, a juventude para o desafio de uma cultura alternativa ou "contra-cultura".
Sabemos que "palavras convencem, mas exemplos arrastam". Por isso, decidimos por duas campanhas concretas que as Comunidades Eclesiais de Base, em todo o território da Arquidiocese, devem encabeçar e que assinalarão publicamente o novo referencial ecológico-social que as CEBs assumem para si:
1. Uma campanha ampla, junto a toda a população, pela redução da taxa de esgoto, cobrada na conta da água pela CAGECE: A coordenação arquidiocesana apresentará a formulação unificada de uma petição, seguida por um abaixo-assinado, que será enviada a todas as comunidades para um trabalho corpo-a-corpo. A meta será o recolhimento de algumas milhares de assinaturas, a serem, em seguida, encaminhadas ao órgão estadual competente, sob os olhos da imprensa. Estamos convencidos de que só a redução radical da exorbitante taxa de esgoto fará com que as famílias mais pobres do nosso Estado possam aceitar a ligação de suas casas à rede de esgoto como algo desejável e benéfico.
2. Uma campanha ampla, junto à população dos bairros de periferia, de plantação de mudas de árvores, acompanhada de um processo de sensibilização: A coordenação arquidiocesana encaminhará um pedido à Prefeitura Municipal de Fortaleza de concessão de grande número de mudas, a serem distribuídas às comunidades e plantadas, em comum acordo com os moradores adjacentes, em lugares públicos e/ou comunitários. A campanha visa mais do que o aumento da arborização em nossas cidades: pretende mobilizar as CEBs numa ação concreta pelo bem comum e ainda comprometê-las com os cuidados contínuos pela "semente" colocada.
Queremos seguir, com estes propósitos, as pegadas de São Francisco de Assis que, há muitos séculos e bem a frente do seu tempo, já abraçava estas duas prioridades de todo bom cristão: os pobres e a natureza. Dedicando-nos com fervor e entusiasmo à defesa e promoção destas duas prioridades, pretendemos entoar, como Francisco, ao Deus da Vida uma nova canção.
Que Deus nos abençoe e dê longa vida às comunidades! Amém! Axé! Aleluia!
Fortaleza, 01 de novembro de 2009, na Festa de Todos-os-Santos.
* Comunidades Eclesiais de Base da Arquidiocese de Fortaleza

Pra voçe...


Com carinho...
Rio, estou feliz; 3/11/2009.
Alex Prado.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reforma agrária, uma entrevista...


Uma das entrevistas mais lúcidas que li.
Entrevista com João Pedro Stédile...

Entalhe de uma homilia.

Uma biografia a ser por mim lida.

A vida de um jovem que precisa ser repaginada aos dias de hoje.

Voltar a arrebanhar multidões.

Irmão dos irmãos de Jesus.

São Francisco de Assis.